sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Ateísmo

"A fé salva, logo mente". Nietzsche

Abrindo o coração ou Do processo de descrença 

 

A princípio, a ideia do Blog surgiu diante de uma experiência particular, o processo de descrença. Desde os primeiros anos da faculdade de Geografia, tive minhas crenças cristãs profundamente confrontadas. O processo de perda dessa fé não se deu sem muita confusão, angústia e também algum choro. O Blog deveria servir para um relato dessa experiência. 
Por vários motivos, o conteúdo acabou tomando outro rumo, o qual penso hoje ser mais virtuoso. Porém nunca esquecemos a importância do assunto religião, afinal, o conjunto de crenças que carregamos se traduz na maneira como agimos no dia a dia. 
O texto (trecho) abaixo do filósofo francês André Comte Sponville*, nos traz algumas considerações sobre esse tema. Boa leitura!

O Ateísmo

O ateísmo é um objeto filosófico singular. É uma crença, mas negativa. Um pensamento, mas que se alimenta do vazio do seu objeto.
É o que a etimologia indica suficientemente: esse minúsculo a privativo do imenso theos (deus)... Ser ateu é ser sem deus, seja porque o ateu se contenta em não crer em nenhum, seja porque afirma a inexistência de todos.
Num mundo monoteísta, como o nosso, podemos distinguir dois ateísmos diferentes: não crer em Deus (ateísmo negativo) ou crer que Deus não existe (ateísmo positivo). Ausência de uma crença ou crença numa ausência.
E o agnóstico? É aquele que se recusa a escolher. Nisso, está bem próximo do que eu chamava de ateísmo de ateísmo negativo, porém mais aberto, é sua característica, à possibilidade de Deus (deixa o problema em suspenso).

Três motivos para ser ateu?

Uma razão forte para ser ateu é, antes de mais nada, a fraqueza dos argumentos opostos. Fraqueza das "provas", claro, mas também fraqueza das experiências. Se Deus existisse, deveríamos poder vê-lo mais, senti-lo mais! Os crentes costumam responder que é para preservar nossa liberdade: se Deus se mostrasse em toda a sua glória, já não seriamos livres para crer nele ou não... Porém, há menos liberdade na ignorância do que no saber. Deveríamos, para respeitar a liberdade das crianças, deixar de instruí-las? A ignorância nunca é livre; o conhecimento nunca é servo.


A principal força de Deus, se é que ele existe, é por definição inexplicável. Que a religião é uma crença possível, não desconvenho. Que é respeitável, nem é preciso dizer. Mas eu me interrogo sobre seu conteúdo de pensamento. Que mais é uma religião, senão uma doutrina que explica alguma coisa que não compreendemos (a existência do universo,da vida, do pensamento...) por meio de alguma coisa que compreendemos menos ainda (Deus)?
Ser ateu não é rejeitar o mistério; é rejeitar livrar-se do mistério ou reduzi-lo sem maiores esforços mediante um ato de fé ou de submissão. Não é explicar tudo; é recusar-se a explicar tudo pelo inexplicável (...) O universo é mais misterioso do que a Bíblia ou o Corão. Como esses livros, que ele contém, poderiam explicá-lo?


Se não creio em Deus é também, e talvez principalmente, porque preferiria que existisse. É a aposta de Pascal, se quiserem, invertida. Ora, Deus é tanto menos verossímil, parece-me, quanto mais é desejável: ele corresponde tão bem a nossos desejos mais forte que é o caso de indagar se não o inventamos por isso.
Que desejamos acima de tudo? Não morrer, 
responder

*Livro: Apresentação da Filosofia. Martins Fontes.

domingo, 16 de novembro de 2014

Sobre a velocidade do mundo contemporâneo e seus resultados na vida cotidiana

Numa conversa informal...

- Danicio, gosto das coisas que você posta em seu Blog, mas os textos são muito longos!
Quase nunca leio inteiro...

Eu...