quarta-feira, 19 de março de 2014

TOM JOBIM, OS PRÉ-SOCRÁTICOS E A NATUREZA.


"Sem a música, a vida seria um erro"!  
Nietzsche
Os pré-socráticos, de forma muito simples, foram pensadores que viveram antes de Sócrates nos séculos VII, VI e V antes de Cristo, na região da magna Grécia. Na verdade o termo indica mais uma tendência de pensamento, onde a preocupação principal era a compreensão da natureza, da physis, dos fenômenos naturais de forma racional, dispensando assim o auxílio da mitologia como forma de explicação das coisas. Esta interpretação, mais abrangente, nos possibilita incluir, mesmo depois de Sócrates, alguns pensadores nesse quadro, como é o caso de Epicuro, que mesmo sendo contemporâneo de Platão (Séc. III a.C), se dedicou a assuntos da physis.

Os primeiros filósofos gregos, segundo suas escolas de pensamento. Fonte: http://historiaparafazer.blogspot.com.br/2014/02/os-pre-socraticos.html

 

E a música onde entra nessa história?

Descrever a natureza não é algo fácil, nunca foi! Nunca será! Porém, Tom Jobim, com a música "Águas de março" parece querer roubar de Anaxágoras o título de último pré-socrático. 

É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um caco de vidro, é a vida, é o sol
É a noite, é a morte, é o laço, é o anzol
É peroba do campo, é o nó da madeira
Caingá, candeia, é o Matita Pereira
É madeira de vento, tombo da ribanceira
É o mistério profundo, é o queira ou não queira
É o vento ventando, é o fim da ladeira
É a viga, é o vão, festa da cumueira
É a chuva chovendo, é conversa ribeira
Das águas de março, é o fim da canseira
É o pé, é o chão, é a marcha estradeira
Passarinho na mão, pedra de atiradeira
É uma ave no céu, é uma ave no chão
É um regato, é uma fonte, é um pedaço de pão
É o fundo do poço, é o fim do caminho
No rosto o desgosto, é um pouco sozinho
É um estrepe, é um prego, é uma ponta, é um ponto
É um pingo pingando, é uma conta, é um conto
É um peixe, é um gesto, é uma prata brilhando
É a luz da manhã, é o tijolo chegando
É a lenha, é o dia, é o fim da picada
É a garrafa de cana, o estilhaço na estrada
É o projeto da, é a lama, é a lama
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um resto de mato, na luz da manhã
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração
É uma cobra, é um pau, é João, é José
É um espinho na mão, é um corte no pé
São as águas de março fechando o verão,
É a promessa de vida no teu coração
É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um belo horizonte, é uma febre terçã
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração
Pau, pedra, fim, caminho
Resto, toco, pouco, sozinho
Caco, vidro, vida, sol, noite, morte, laço, anzol
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração.