domingo, 29 de dezembro de 2013

NIETZSCHE - Dicas para a guerrilha filosófica

"Em se tratando de assuntos humanos, não é bom que as coisas melhores agradem a maioria. A multidão é argumento negativo"
Sêneca
A ideia. Essa palavra aparentemente sem valor, é na verdade o que "motiva" a história! 
Em nosso dia a dia, o convívio com a diversidade é em grande parte brindado com a impaciência. Respeitar o outro, suas convicções, psicologia, atitudes com bom humor é algo bem dificil e incomum. Muitas vezes somos tentados a "mostrar a verdade", impor nossa visão de mundo (diga-se de passagem, sempre mais sofisticada, lógico!) às pessoas que ainda não alcançaram esse "estágio".  
Tal luta é um erro, e baseio esta afirmação em Nietzsche. É na obra Além do Bem e do Mal , mais precisamente no aforismo de nº 25, que esse grande filósofo nos indica a melhor maneira de proceder a "guerrilha filosófica". A ele:
Friedrich Wilhelm Nietzsche - (1844-1900) Filósofo, poeta, filólogo, músico e escritor alemão. Seu pensamento influenciou profundamente o pensamento do século XX. A partir dele, passou-se a ver a religião, a moral, a cultura e a ciência por um novo prisma. Fonte: http://www.nietzsche-news.org 
" Sede prudentes, filósofos, amigos do conhecimento, e preservai-vos do martírio, preservai-vos do sentimento 'por amor à verdade'! Preservai-vos da autodefesa! A vossa consciência perde com isso toda a inocência e neutralidade hábil, tornando-vos obstinados perante as objeções e o pano vermelho (alusão à tourada). Torna-vos-eis estúpidos, bestas e touros, quando na luta com o perigo, a difamação, a suspeita, o ostracismo e consequências ainda piores da inimizade, tiverdes por fim de acabar por desempenhar o ingrato papel de defensores da verdade na terra, como se 'a verdade' fosse uma pessoa tão inocente e inepta que precisasse de defensores! Principalmente de vós, cavaleiros de tristíssima figura (alusão a Dom Quixote), vós, meus tecelões das teias de aranha do espírito! Porque sabeis perfeitamente que é indiferente que sejais vós quem tem razão e igualmente que nenhum filósofo teve ainda razão e que cada pequeno ponto de interrogação que colocais à frente das vossas palavras e doutrinas favoritas (e ocasiolnalmente à frente de vós mesmos) encerra uma veracidade mais digna de louvores que todos os vossos acusadores e juízes! Ponde-vos antes de lado! Fugi para a solidão! Conservai a vossa máscara e perspicácia para que vos confundam com os outros! Ou - quem sabe? - para que vos receiem um pouco! Cercai-vos de homens que sejam como um jardim ou como música soando sobre as águas ao cair da noite, quando o dia se converte em recordação. Escolhei a boa solidão, a solidão livre, frívola e ligeira, aquela que vos dá o direito de permanecerdes bons, num sentido qualquer!

Para saber mais sobre autor

        

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

POESIA E REFLEXÃO

Mude

Mas comece devagar, porque a direção
é mais importante que a velocidade.
Mude de caminho, ande por outras ruas,
observando os lugares por onde você passa.
Veja o mundo de outras perspectivas.
Descubra novos horizontes.

Não faça do hábito um estilo de vida.

Ame a novidade.
Tente o novo todo dia.
O novo lado, o novo método, o novo sabor,
o novo jeito, o novo prazer, o novo amor.
Busque novos amigos, tente novos amores.
Faça novas relações.
Experimente a gostosura da surpresa.
Troque esse monte de medo por um pouco de vida.
Ame muito, cada vez mais, e de modos diferentes.
Troque de bolsa, de carteira, de malas, de atitude.

Mude.
Dê uma chance ao inesperado.
Abrace a gostosura da Surpresa.

Sonhe só o sonho certo e realize-o todo dia.

Lembre-se de que a Vida é uma só,
e decida-se por arrumar um outro emprego,
uma nova ocupação, um trabalho mais prazeroso,
mais digno, mais humano.
Abra seu coração de dentro para fora.

Se você não encontrar razões para ser livre, invente-as.

Exagere na criatividade.
E aproveite para fazer uma viagem longa,
se possível sem destino.
Experimente coisas diferentes, troque novamente.
Mude, de novo.
Experimente outra vez.
Você conhecerá coisas melhores e coisas piores,
mas não é isso o que importa.
O mais importante é a mudança,
o movimento, a energia, o entusiasmo.

Só o que está morto não muda!
 
Edson Marques

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

KANT E A QUESTÃO DA MENORIDADE

(...) Os adultos, tal qual as crianças, caminham vacilantes e ao acaso sobre a terra, sem saber de onde vêm  nem para onde vão! Agem sem objetivos determinados e deixam-se governar, como crianças, por meio de biscoitos, bolos e vara de marmelo. Ninguém acredita que seja assim, mas na minha opinião, não há verdade mais palpável.  Goethe

Nem sempre os mais velhos possuem a razão de fato. Esta afirmação pode parecer absurda para alguns, sobretudo para os mais velhos, que se apoiam no contrário desse argumento para justificar seu poder de influência nas decisões alheias. Se você disser algo do tipo para algum familiar, tendo estes perfis conservadores, certamente te acusarão de rebeldia e revolução, mas e se seu argumento estiver baseado em Immanuel Kant, um dos maiores filósofos da modernidade? Aqui, algumas coisas mudam...

Immanuel Kant (1724 - 1804) Filósofo prussiano (nessa época a Alemanha ainda não era um país). Versado em Geografia, Física e Matemática é também considerado o último grande filósofo da idade moderna.  


A questão da maioridade

Para Emmanuel Kant, não basta ter 21 anos de idade para ser considerado adulto. Para esse filósofo, a idade adulta está relacionada à autonomia de pensamento, ao grau de esclarecimento, ao uso razão.
Para esse filósofo, o homem é o responsável por sua saída da menoridade, o que ele define como a incapacidade do indivíduo de fazer uso de seu próprio entendimento. Como bom iluminista, depositava no ser humano sua esperança de mudança de estado frente à natureza/mundo, um estado caracterizado pela morbidez/receio. Kant explica que a permanência do homem na menoridade se dá pelo fato deste não ousar pensar. A covardia e a preguiça são as causas que levam os homens a permanecerem na menoridade. Um outro motivo é o comodismo. É bastante cômodo permanecer na área de conforto. É cômodo que existam pessoas e objetos que pensem e façam tudo e tomem decisões em nosso lugar. É mais fácil que alguém o faça, do que fazer determinado esforço, pois já existem outros que podem fazer por mim. Os homens quando permanecem na menoridade, são incapazes de fazer uso das próprias pernas, são incapazes de tomar suas próprias decisões e fazer suas próprias escolhas.
Mas como se libertar do comodismo? Através da reflexão, a partir de um auto questionamento. E o processo como se dá? Através de crises particulares (existenciais talvez!) e movimentos de resistências, pois serão muitos os que tentarão te dissuadir.
O legal dessas ideias está no fato delas poderem ser aplicadas a diversas questões do nosso dia a dia como religião, política, opinião, vida. Passar bem!