quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Traços de Genialidade: Luiz Gonzaga

Ser genial é pra poucos. É o caso de nosso querido Luiz Gonzaga (1912 - 1989). Esse incrível músico e compositor Pernambucano. Seu currículo inclui: invenção do trio no forró (sanfona, triângulo e zabumba), a propagação dos ritmos (e cultura) nordestinos para todo o mundo, composição de letras que falavam do sofrimento e das lutas de um povo (e isso é um resumo do resumo). O povo nordestino.  
Em especial, na letra "Pau de Arara", Luiz Gonzaga conseguiu contar, de uma só vez, a história de milhares de brasileiros que, por motivos sobretudo econômicos, foram obrigados a deixar sua terra natal em busca de novas oportunidades. 



Letra: Pau de Arara 

Quando eu vim do sertão,
seu môço, do meu Bodocó
A malota era um saco
e o cadeado era um nó
Só trazia a coragem e a cara
Viajando num pau-de-arara
Eu penei, mas aqui cheguei (bis)
Trouxe um triângulo, no matolão
Trouxe um gonguê, no matolão
Trouxe um zabumba dentro do matolão
Xóte, maracatu e baião
Tudo isso eu trouxe no meu matolão

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

12 Maneiras de enriquecer facilmente em 2014

 “Dinheiro é poder, e poder é o supremo afrodisíaco. É uma lógica inescapável: os ricos são sexualmente mais atraentes”
Fracis Wheen, satirizando os livros de autoajuda/fique rico

            Quem não quer ficar rico da noite para o dia? Seria como perguntar, você quer ter saúde? Você quer ser feliz? Aliás, no imaginário popular, riqueza e felicidade andam bem juntas. Por outro lado, sempre há aqueles que dizem que “dinheiro não traz felicidade”. Se isso fosse verdadeiro não teríamos os milhares de jogadores da Mega Sena que vemos todos os anos... A essa frase, prefiro: “Dinheiro não traz felicidade, mas me deixaria deprimido em Paris”...
    Com o objetivo de ajudar de alguma forma o enriquecimento de meus caros leitores, elaborei um conjunto de leis, regras e mandamentos que certamente irão contribuir tanto para o aumento quanto para o desfrute dos valores acumulados. Vamos lá:

Dinheiro o supremo afrodisíaco. Fonte: blogdodinheiro.com

Para enriquecer o conhecimento


1.    Leia mais, assista menos TV  
Considerando que a escrita existe a milhares de anos e a TV a menos de um século, é de se esperar que as informações mais importantes sobre todas as coisas estejam nos livros.
2.   Não dispense uma boa conversa / Fale menos, escute mais 
 Afinal, temos dois ouvidos e uma boca.
3.  Procure filtrar as informações obtidas.
 Num mundo com tantas informações a disposição em alta velocidade, faz necessário critérios para se saber o que realmente importa.
 
4.  Quando for viajar, fuja da CVC. 
  
Viagens programadas embora proveitosas, não oferecem a mesma possibilidade de descoberta e imprevistos que uma viagem independente.
5.   Estude música.  
 Diz-se que a música ajuda no desenvolvimento dos neurônios, da coordenação e etc.   


Para enriquecer as relações pessoais


6.    Visite os amigos / Dê preferência a encontros pessoais.
7.  Não compare as pessoas  

Os seres humanos são únicos e insubstituíveis, com seus defeitos e qualidades característicos, respeite-os.

8.    Não seja superficial.

9.    Fique feliz com as conquistas do outro.

Para enriquecer o lado espiritual


10.  Esteja, sempre que possível, em contato com a natureza. 
 Quando falo de natureza, falo de paisagens naturais, que possuem o poder de trazer paz e tranquilidade ao morador da cidade. 
11.  Conheça a ti mesmo. 
 A grande lição do mestre Sócrates, dispensa comentários...
12.  Contente-se com tudo o que você tem.  
 Afinal, rico é aquele que tem tudo o que precisa. Se uma pessoa tem muito dinheiro, mas sempre quer mais, ela não é rica, é miserável. Assim, a riqueza é um estado de espírito. Sobre isso, o filósofo holandês Spinoza diz que “Toda nossa felicidade ou toda nossa miséria residem num só ponto: a que tipo de objeto estamos presos pelo amor”.



*Antes de encerrar, cabe aqui uma nota. Meu título (12 maneiras de enriquecer facilmente) pode parecer inapropriado, uma vez que não é tão simples praticar essas coisas. Mas coloque-se na minha posição? Será que alguém leria uma texto chamado "Fique rico em inteligencia, nas amizades e espiritualmente  com muito esforço, suor, trabalho e disciplina.? Nem eu...Feliz Ano Novo a Todos!!! 

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Brevíssima história do Jazz

*Em homenagem ao grande historiador inglês Eric J. Hobsbawn (1917-2012) 
Existe uma etapa de nossa vida em que é muito possível nos apaixonarmos pela música, e em especial, pelo Rock. Trata-se da adolescência, esse período interessantemente conflituoso de nossa existência... Seja por vontade própria ou por mera “imposição” de grupo, muitos acabam adotando uma banda, particularizando um som...
Na minha adolescência não foi diferente, porém com certa moderação. Minha mãe até hoje muito crente, sempre me “proibiu” de escutar qualquer tipo de música “mundana”, segundo ela, “coisa do demo”...  Essa atitude materna não foi de tudo ruim. Com uns 15 anos comecei a estudar música e tive contato o gênero instrumental. Foi a saída, a estratégia para evitar um atrito com minha mãezinha querida... A música instrumental em si não tem lá muito público (estava também resolvida a questão da particularidade musical), muito dificilmente escutamos um rock, um funk ou mesmo um pop instrumental, a necessidade do cantor se tornou imperativa na história recente da música popular. Restou o jazz, que na maioria das vezes, não ter cantor. Sem perceber, me tornei um apreciador desse estilo...
Na busca por entender um pouco mais sobre tudo isso, procurei alguma obra que me aprofundasse no tema. Tive contato então com o livro “História social do Jazz” do renomado historiador inglês Eric J. Hobsbawm. Tive várias surpresas, como por exemplo, que o livro foi escrito (1958) para defender o jazz... Como assim? Pensei. Defender de quem? Da incrível revelação que foi o rock na década de 60 (Beatles, não só, mas principalmente). Na realidade, a história do jazz em muito se confunde (mas não só isso, também depende, rivaliza, influencia) com a história do rock.


Geografia do jazz

O jazz é antigo, suas origens remontam ao inicio do século XX. Consiste numa manifestação artístico-cultural da comunidade negra norte americana residente do Sul dos Estados Unidos. Os maiores créditos vão para a cidade de Nova Orleans, uma região conhecida como Delta do Mississipi. Delta é a foz do rio, é onde o curso hídrico espraia devido o contato com algum lago ou mar, formando uma espécie de triangulo, um Y, ou delta (∆), aquela letra grega muito usada na matemática.


O movimento jazz, sua decadência e retomada

Esse novo estilo procurava expressar as duras condições de vida dos ex-escravos do sul agrário americano. A coisa não era só música, o jazz continha também uma proposta política, um quê de reivindicação, de revolta, de revolução, que foram totalmente adaptadas pelo rock, com muitas vantagens, como a amplificação, a simplicidade, a figura direta do cantor, a presença da multidão. O jazz sempre foi uma música de público reduzido, e no auge do rock passou para os bastidores da arte. A coisa foi tão feia, que durante as décadas de 1950-80 houve uma espécie de dispersão de músicos jazzistas pelo mundo, inclusive para o Brasil, como é o caso de Booker Pittman, um dos pais do saxofone soprano, que sumiu de Nova Orleans por essas épocas e apareceu anos depois numa plantação de café no norte do Paraná.
Saxofone - o instrumento símbolo do Jazz
Logo após esse longo período decadente, o jazz voltou a brilhar. Tanto pela linguagem do Fusion, um estilo que surge da mistura do jazz com o rock, quanto pelos novos músicos que resgataram a linguagem antiga, agora com novidades.
Hoje, ao falarmos de jazz, é comum os comentários “é coisa de velho”, “música de tiozinho”... Convém mudar esse conceito, popularizar o jazz...

Louis Armstrong (1901-71) um trompetista e cantor de jazz que marcou a história. Essa música "What a wonderfull world", de 1967 surgiu num contexto de tensão social nos EUA (a década de Martin Luther King, de Malcon X, da contestação da guerra no Vietnã pelos Hippies). É um típico jazz tradicional, um swingue lento.


Duke Ellington (1889-1973), um dos maiores compositores da história do jazz. Ella Fitzgerald (1917-96), a rainha do jazz. "Dukes place" é um exemplo de Dixieland, ou jazz tradicional, com  velocidade, música para se dançar.


Chick Corea um dos maiores nomes do jazz fusion do mundo. "Spain" tornou-se um  jazz standard, que são temas musicais conhecidos mundialmente.                                   



segunda-feira, 3 de setembro de 2012

A pré-história de Mc Catra ou A história do funk no Brasil - do swing ao pancadão

Play the funk music white boy!
Wild Cherry

Como amante da música que sou, pretendi escrever algo sobre o funk, esse estilo musical vivo, envolvente e dançante que nos alegra em dias "deprê"; faltou tempo, faltou inspiração, faltou criatividade, mas não faltou vontade, e como diria o sábio rei Salomão "que tudo tem o seu tempo debaixo do sol", hoje, sentei e resolvi dar inicio (e fim) a esse desejo.
A história do funk no Brasil é resultado de uma incrível aceitação e adaptação do estilo norte americano pelos brasileiros.           
Tocar um instrumento, qualquer que seja, é uma atividade maravilhosa. Eu, por cuidado do destino, acabei por me aproximar e me apaixonar pela Bateria, um instrumento responsável pelo ritmo, pela “vida” da música (ao lado do baixo elétrico, é claro).  No geral, as pessoas, de certa forma, admiram os músicos (mas nunca deixam de lembrar que o músico não ganha dinheiro, que são pobres e vagabundos), e muitas vezes me perguntaram quais as minhas influências musicais, o que eu gosto de ouvir, quais seriam minhas sugestões e etc... Em relação ao jazz, ao samba, ao rock, tudo certo. Mas quando a gente fala que gosta de funk, vixi... A indignação é certa, torcem o nariz... Isso é resultado de um grande mal entendido que humildemente procurarei esclarecer.
O funk é um estilo musical da Norte América oriundo da cultura black (ou seja dos negros americanos), uma mistura de soul, jazz e R&B (rhythm and blues); é caracterizado principalmente por sua pulsação marcante, pela ênfase nos instrumentos metálicos (Saxosofone, Trompete, Trombone), pelo ritmo dançante e pelas “linhas de baixo”. Seu auge nos EUA se deu entre as décadas de 1960 e 70 com nomes que vão de James Brown a KC and The Sunshine Band. 


        
James Brown, uma lenda da Soul / Funk. Nessa música é possível perceber o swing, as linhas de metais, a pulsação vibrante e toda a energia do Funk.  
 
Jaco Pastorius, uma lenda do baixo, no jazz, no funk, no soul e no fusion (o cara era foda!). Antes dele o baixo elétrico era um instrumento de fundo. Depois dele o baixo ganhou status de instrumentos solista, passou para a frente da banda. Nessa música, "The Chiken", pode-se facilmente identificar as já citadas linhas de baixo, ou groove.  
 

O Funk no Brasil

No Brasil, o funk encontrou terra fértil. Não só descobriu um público alegre e fiel, mas também músicos geniais que contribuíram com o estilo, dando a este uma "linguagem brasileira". No Rio de Janeiro, esse gênero era sucesso nas festas populares, devido ao swing, à energia, ao ritmo da música que fazia todos dançarem. A festa dessa época, ou baile, passou então a ser caracterizada pelo estilo de música que nela era tocada,  o Baile Funk.  O tempo passou, mudou-se o tipo de música, porém o nome da festa continuou o mesmo. No baile funk carioca de hoje temos uma "adaptação" do swing da música americana, o "pancadão".
 Dentre os pais do gênero no Brasil podemos citar Gerson King Combo, Tim Maia, Jorge Ben Jor, Banda Black Rio, dentre muitos outros... 
 
Gerson King Combo, uma lenda viva da Soul / Funk no Brasil. O pai do nosso funk de cada dia.
    
 
No Brasil, a Banda Black Rio foi uma das maiores expoentes do funk instrumental que se tem notícia. Procurou inovar através da adaptação de elementos da cultura nacional no funk. Na música "Maria fumaça" é fácil identificar uma ritmo meio funk meio samba e levadas de agogô, além do som do triângulo, um instrumento típico do forró nordestino.
        

Ed Motta - "Dez mais um amor". Nessa música podemos sacar a sutileza do cantor ao colocar na nessa música (que é um funk/soul, portanto coisa americana) alguns elementos da música brasileira como o som da Cuíca que ele faz com a voz, ou mesmo as viradas de bateria do finalzinho que lembra as viradas do Samba ("garfinho" na linguagem dos músicos).

Quer saber mais sobre o assunto? Fica a dica de um bom documentário... Grande abraço!!!

Referências

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

7 hábitos das pessoas altamente eficazes

"Duas coisas são infinitas: o universo e a estupidez humana. Mas, no que respeita ao universo, ainda não adquiri a certeza absoluta". Albert Einstein
Numa época recente de nossa história (anos 2000 + ou - ), as livrarias em geral foram dominadas por um segmento literário revolucionário, um novo estilo que surgiu para mudar o mundo, transformar as pessoas,  trazer sentido à vida; a cura para os males, sejam eles materiais, espirituais, intelectuais ou emocionais. Sim! Estou falando dos livros de auto ajuda.
Para minha surpresa, após alguma pesquisa, descobri que esse gênero não é tão recente assim. Seu pioneiro foi o britânico Samuel Smiles, que publicou em 1859 a obra “Auto Ajuda”, inaugurando uma nova forma de enxergar os desafios da vida, não mais como antes pela ótica religiosa, mas sim por uma visão antropocêntrica/autossuficiente. Sua mais famosa frase: "O Céu ajuda àqueles que ajudam a si mesmos", indica a substituição da figura de Deus pela palavra Céu (um plágio descarado de uma famosa frase do cientista americano Benjamin Franklin - "Deus ajuda àqueles que a ajudam a si mesmos"). 
A última morre...


Não é necessário muito esforço para lembrarmo-nos de algum título, certamente você já leu ou pelo menos viu a capa de algum... Vários deles possuem nomes que começam por números, como por exemplo “7 hábitos das pessoas altamente eficazes”, “10 indicativos da pessoa feliz”, “12 atitudes do verdadeiro líder”; ou mesmo “O monge e o executivo”,   “A arte da felicidade”. Esses são geralmente de autores americanos, temos também nossos escritores, dos quais Augusto Cury (aquele do “Seja líder de si mesmo”, “Você é insubstituível”, “Nunca desista dos seus sonhos” entre outros grandes sucessos literários) seja talvez o maior expoente.
 

Augusto Cury - 16 Mi de livros vendidos no Brasil e exterior 

 

CRÍTICAS

Não são poucas...Vamos começar pelas do Wikipédia, que denunciam a maquiavelidade de tais obras por apresentarem "respostas fáceis para problemas complicados". De acordo com essa visão, o leitor recebe o equivalente a um placebo, e o autor (junto com a editora) recebe os lucros!!!$$$:
 
"O único modo de se tornar rico com um livro de autoajuda é escrever um"
(Livro “Deus é minha firma”, crítica à ideologia da auto ajuda)
        
Outra grande crítica em relação à auto ajuda é o oferecimento de coisas que podem não ser facilmente atingidas, como riqueza ou saúde, bastando para isso "acreditar em si mesmo", porém o leitor quando não atinge a meta proposta pelos autores, se sente incapaz de realizar seus próprios sonhos.
 

OUTRAS CRÍTICAS

Livros de auto ajuda quando escritos por americanos são ruins e quando escritos por brasileiros são ruins também. Explico; os autores americanos (a maioria pelo menos) vivem nos Estados Unidos, pensam como americanos, comem como americanos, consomem como americanos... Quando escrevem para o resto do mundo, imprimem no papel sua visão americanizada do mundo e não podia ser de outra forma! Uma visão a partir de uma ótica imperialista.  Pensam que os indivíduos do resto do mundo possuem as mesmas oportunidades/facilidades que eles.
Os autores brasileiros não se distanciaram muito dos americanos. Em ambos os casos podemos perceber a promoção do sucesso individual (você pode, você consegue!!!), a desconsideração do contexto histórico de cada um, a pregação implícita da igualdade de oportunidades. 
Sobre a promoção do sucesso individual, o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, em seu livro “Desafios brasileiros na era dos gigantes” (p. 17), nos lembra que
 “A maioria da população, vítima das disparidades e dos mecanismos de concentração de poder que as agravam, não são capaz de se mobilizar para promover a reversão desses mecanismos e a consequente redução das disparidades. A desmobilização dessa massa se faz pela difusão de visões da sociedade que a responsabilizam pelas suas misérias; pela distração incessante, promovida pela mídia por meio do culto ao individualismo, à violência anômica, às personalidades dos esportes e do show business; pela exploração do sexo; pelos hábitos introduzidos pela televisão; pela ação de seitas que atribuem a culpa de suas desditas sociais ao individuo pecador que cede ao demônio; e pelo vilipendiar da política e dos políticos, apresentados como corruptos, sem que se indiquem alternativas"...  

PARA NÃO CONCLUIR...

Pessoas que tem o hábito de ler são raras. Todos sabemos os benefícios que a leitura pode trazer a seu praticante (desenvolvimento da imaginação, aumento do vocabulário, maior capacidade de abstração e raciocínio e etc). A pena é que cotidianamente, quando tais raras pessoas abandonam a TV para ler acabam, por uma imposição mercadológica, lendo obras que pouco contribuirão para o entendimento da realidade. Verdade seja dita, os livros de auto ajuda representam um braço forte da mídia hipnótica que no geral objetivam: a naturalização das desigualdades, a perpetuação das injustiças, a culpabilidade do indivíduo pela sua condição, a desorganização dos movimentos sociais coletivos, enfim, a despolitização da sociedade.
 

Referências

Guimarães. Samuel P. Desafios brasileiros na era dos gigantes. Rio de Janeiro. Editora Contraponto, 2005.




sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Da manipulação das informações cotidianas / Manipulação da grande Mídia

Entender a manipulação dos fatos pela imprensa é a chave para perceber o quanto da nossa realidade é distorcida/ocultada por esse segmento. A princípio pode até parecer papo de “conspirador” ou de gente paranoica, mas com um pouco de reflexão e atenção é possível identificar a função de espelho deformado que a mídia exerce em relação aos fatos, perpetuando os interesses de uma pequena classe social (a elite) em detrimento da maioria desvalida.
Duas premissas básicas são necessárias ao entendimento desse sistema. I. No sistema capitalista, onde tudo tende a virar mercadoria, a notícia não escapou a esse processo, tornando-se também uma fonte de lucro. II. Não existe neutralidade na difusão de informações, todo órgão da imprensa (seja ele televisivo, impresso ou rádio) possui uma orientação político/ideológica, transmitindo os fatos de acordo com o seu “filtro”.




Na obra intitulada “Os padrões de manipulação da grande imprensa”, o jornalista Perseu Abramo aponta algumas práticas que às vezes em conjunto, às vezes separadas, compõem o arsenal midiático. São elas:

 
1 – Padrão de ocultação – Ausência e presença dos fatos reais. Silêncio deliberado em determinados fatos da realidade. “A ocultação do real está intimamente ligada àquilo que (...) se chama “fato jornalístico”. Ou seja, na pauta existem fatos e não fatos jornalísticos. Uma concepção seletiva dos fatos.

2 – Padrão de fragmentação – “O todo real é estilhaçado (...) fragmentado em milhões de minúsculos fatos particulares (...), desconectados entre si (...) sem vínculos com o geral...”. O fato, portanto fica fora do contexto.


3 – Padrão da inversão – Descontextualizados os fatos, opera-se a inversão,com o reordenamento das partes e a troca de lugares com a destruição da realidade original e a criação artificial da outra realidade”.
Na inversão da relevância dos aspectos, o secundário é tratado como principal e vice-versa.
Na inversão da forma pelo conteúdo, o fato é menos importante que o texto. E na inversão da versão pelo fato, o fato tem importância, mas de acordo com a versão do órgão que o divulga.  No lugar do fato, apresenta declarações suas ou alheias, com versões de opiniões nebulosas. Significa que, se o fato não corresponde à versão de quem o divulga, o fato deve estar errado (sic).
A inversão do fato se dá, também, por meio do oficialismo, no sentido de indicar a fonte oficial, que pode ser uma autoridade do Estado ou do governo, ou de qualquer segmento da sociedade.
inversão da opinião pela informação substitui a informação pela opinião. A informação serve, portanto, apenas para ilustrar a opinião que se quer impor à sociedade.

4 – Padrão de indução – O leitor/espectador é induzido a ver o mundo não como ele é, mas sim como querem que ele o veja.

5 – Padrão global ou padrão específico do jornalismo de televisão e rádio – Segundo Perseu Abramo, divide-se em três momentos básicos, como espetáculo, jogo de cena em que o 1o Ato é o da exposição do fato. Fato esse apresentado de forma sensacionalista, menos racional, com imagens e sons. No 2o Ato é o momento em que a sociedade fala. Com pessoas dando seus testemunhos, expondo alegrias e dores, críticas, queixas e propostas. O 3o Ato é o da autoridade que resolve. Reprime o mal e enaltece o bem. Tudo será resolvido. É o papel alienante da autoridade.
Temos então uma realidade substituída por outra realidade, artificial, irreal. Nesse espaço o cidadão se move, sem agir, de preferência!  

“Porque o jornalismo manipula a informação e distorce a realidade?”, pergunta Abramo, acrescentado que é deliberada, tem um significado e um propósito.Em seguida fala sobre interesses econômicos (ambição de lucro) e a lógica do poder. “Para exercer o poder e recriar a realidade, precisam manipular a informação, tornando-se, portanto uma necessitade”, que a leva a se transformar em um partido político.
Recriando a realidade à sua maneira e de acordo com os seus interesses político-partidários, os órgãos de comunicação aprisionam os seus leitores nesse círculo de ferro da realidade irreal, e sobre ele exercem todo o seu poder. O Jornal Nacional faz plim-plim e milhões de brasileiros salivam no ato. A Folha de S. Paulo, o Jornal do Brasil, a Veja dizem alguma coisa e centenas de milhares de brasileiros abanam o rabo em sinal de assentimento e obediência.
        
Perseu Abramo, tivesse vivido os avanços da internet, dos blogs e das redes sociais, constataria o quanto a grande imprensa perdeu em credibilidade. As manipulações veículadas na grande imprensa são desmascaradas por jornalistas éticos em suas páginas na internet.                      

* Perseu Abramo foi jornalista e sociólogo. Trabalhou no Jornal de São Paulo, na Folha Socialista, A Hora, em O Estado de S. Paulo (Estadão), na Folha de S. Paulo, entre outros, além da Rádio Eldorado e TV Globo. Faleceu em São Paulo, em 6 de março de 1996, aos 66 anos.           

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Futebol e política, tudo a ver!!!

"No país do futebol, futebol não se aprende na escola. É por isso que o Brazuca é bom de bola". Gabriel, O pensador 
Se alguém nos pergunta sobre como era na época de escola, serão poucos os que não se lembrarão com satisfação daquele tempo. Ainda bem, porque passamos muitos anos nela, não que isso influencie no aprendizado, nada disso! Mas ali construímos nossas personalidades, nossas amizades (algumas para o resto da vida...), e por que não, uma parte de nosso caráter também. 
 

Localizando

A maior parte do tempo eu estudei numa escola chamada E.E José Maria Perez Ferreira, em Carapicuíba, na Região Metropolitana de São Paulo (nome bonito para periferia, favela de SP); porém, ninguém da redondeza a conhece por esse nome, nos bairros do entorno você tem que perguntar pelo Bolivar, que é o nome tanto da escola quanto do bairro onde a mesma se localiza.
 

Da formação / Da política

 
Contando a partir do ensino fundamental, são necessários sete anos para que o indivíduo possa sair da escola com um diploma de ensino médio e assim poder gozar “plenamente” do mercado de trabalho. Foi esse o tempo que dispendi nessa escola, 7 longos anos...O interessante da história é que o nome da escola em que eu estudei só fez sentido pra mim depois que eu saí dela!!! Isso mesmo. Descobri que o nome Bolivar, era uma homenagem a Simón Bolívar (1783-1830), um político latino-americano que colaborou para independência das colônias espanholas na América. Bolívar não foi o único, participaram desse processo outros pensadores dos quais se destaca o general José de San Martí (1778-1850). 
Esses caras tinham o plano de libertar as colônias do julgo colonial, transformando-as num grande país, numa nação panamericana. Em parte obtiveram sucesso, conseguiram a independência das colônias, porém ao contrário da ideia inicial que deslumbrava um imenso território unido pela solidariedade política e história comum, surgiram diversos países, como Honduras, Colômbia,  Uruguai... Aos autores desse processo político de emancipação foi dado o título de Libertadores da América.
Figura de Simón Bolívar em muro - Caracas, Venezuela
fonte:  http://diarioliberdade.org 
O Futebol

Agora sim chegamos no futebol, finalmente! A parte legal. A Taça Libertadores da América é de conhecimento de todos, um importantíssimo campeonato interamericano disputadíssimo, que na final geralmente tem um time do Brasil, da Argentina ou do México. E que por sinal deu Corinthians...O tempo (com a ajuda de forças invisíveis do poder) se encarregou de despolitizar o torneio. Dos milhares de indivíduos que acompanham com emoção cada partida do seu time do coração, (infelizmente) poucos são os que sabem a origem do nome Libertadores da América, menos ainda seu significado político.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Geografia, o que é isso?


 
"Quando eu era jovem o meu sonho era tornar-se geógrafo. Entretanto, antes de ingressar no curso superior, quando trabalhei num escritório, numa atividade que envolvia consumidores de diversas partes, comecei a pensar mais profundamente sobre essa questão e concluí que essa disciplina deve ser extremamente complexa e difícil. Após alguma relutância, acabei optando pelo estudo da Física." Albert EINSTEIN
     
Saudações!!! Já a algum tempo venho ensaiando comigo mesmo para escrever algo sobre a Geografia, porém só agora resolvi agir.
Ao iniciar o curso superior de Geografia na UNESP no ano de 2009, me deparei com a seguinte questão: o que faz um geógrafo?

Para minha surpresa, descobri que o geógrafo possui muitas competências, descobri também que se trata de um profissional com um marketing defasado, afinal de contas, são pouquíssimas as pessoas que sabem de fato o que faz o geógrafo, sua importância profissional, seu valor para a sociedade. 
A Geografia se ocupa, principalmente, de estudar o espaço geográfico, sua dinâmica e evolução. Mas você pode se indagar "como assim espaço geográfico"? What's this? 

O espaço geográfico, de forma simplificada, é o meio ambiente modificado pelo homem, o resultado da intervenção humana na natureza. Logo podemos concluir que, uma vez que a influência humana é global, o espaço geográfico também se torna planetário. Trata-se de um conceito complexo, e para o auxílio de sua análise, o geógrafo procura considerar o clima (climatologia), a política (geopolítica), os solos (pedologia), a economia (geografia econômica), o relevo (geomorfologia), a história, a cartografia e a sociedade. 
 
Mapa Múndi do uso da energia elétrica - O mapa sempre foi o símbolo da Geografia, porém suas atividades também contemplam a política, a economia, as tecnologias, ciências sociais e etc.   


E o mapa, onde entra nessa história? E as bandeiras? As capitais dos países, onde ficam? É importante lembrar que a Geografia é tudo isso e muito mais, pois vai além na interpretação da realidade, procurando estabelecer relações entre os elementos da natureza e o homem.

    Mas, calma aí? Por que um campo da ciência tão amplo, tão rico, não é de conhecimento de todas as pessoas? Todos sabem o que faz o médico, o engenheiro civil, o administrador de empresas, porém as funções de um geógrafo... Uma das respostas possíveis seria o fato de a Geografia construir consciência social, senso crítico, politização de forma integrada. Imagine você se na escola aprendêssemos tudo isso? Não seriamos uma panela de pressão? Um potencial explosivo? Passar bem.   
   

terça-feira, 22 de maio de 2012

O alto custo da obtusidade - O caso das sacolinhas

Por esses dias, estive em Carapicuíba, cidade que esta localizada na zona oeste de São Paulo.  Num supermercado desses de vila, próximo a casa dos meus pais vi uma placa que me chamou a atenção. Continha uma mensagem que justificava o fim do uso das sacolas plásticas nos estabelecimentos comerciais ( Lei 10.574 - janeiro a abril 2012), ressaltando ser seu uso o principal causador dos desequilíbrios ambientais, da poluição dos rios, do entupimento de bueiros, e por fim, a maior contribuinte para o surgimento das enchentes.   Ao final nos convidava a “salvar o planeta”.
Através do lobby da  consciência ambiental, oportunistas do varejo procuraram aumentar seus lucros  retirando  as sacolas plásticas de circulação. 

            Para a tristeza de alguns, digo que a mensagem contida no cartaz não era verdadeira, pelo menos não em sua totalidade. As pessoas geralmente buscam respostas fáceis a questões complicadas, e nesse caso em especial, as causas da poluição e das enchentes possuem uma explicação um pouco mais complexa. Para entendermos um tanto mais sobre o assunto, segue um documentário que versará sobre a evolução urbana de São Paulo.



Documentário Entre Rios - Histórico da evolução urbana de São Paulo Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=Fwh-cZfWNIc


Se você assistiu o documentário, já percebeu que o problema da enchente não tem quase nada a ver com as sacolinhas... Sua explicação está mais ligada à impermeabilização do terreno do que qualquer outra coisa. Merece destaque o embate ideológico que se deu na década de 1920, na poli USP, entre os engenheiros Francisco Saturnino de Brito e Francisco Prestes Maia. De um lado temos a arte pela arte, do outro temos um pensador a serviço de interesses privados.
Sou jovem, mas posso afirmar que quando estudamos história, somos usualmente levados a interpretá-la de forma romântica. Em termos, tudo o que aconteceu no passado deve ficar no passado, foi resultado do estágio inferior em que a sociedade viveu, hoje felizmente superado. Porém, vale lembrar, a realidade prova o contrário.
O plano de avenidas de Prestes Maia pode ser considerado como um desses grandes erros do passado, pois privilegiou o uso da rodovia em detrimentos de outros modais, como por exemplo a ferrovia ou a hidrovia. Imagine você ir de Carapicuíba a São Paulo de barco, através do rio Tiete!? Ou mesmo que São Paulo possuísse um complexo logístico que interligasse vários modais?  
Quando pensamos estar finalmente no estágio mais avançado da vida social, quando finalmente temos todos os aparatos técnicos, científicos e informacionais para a realização de uma nova história, percebemos que os mesmos erros do passado voltam com outros nomes...
Rodoanel Mário Covas - O símbolo da insistência em  um modal saturado.

segunda-feira, 19 de março de 2012

A atualidade dos filósofos gregos

"Se queres a verdadeira liberdade, deves fazer-te servo da filosofia". 
EPICURO      

Do consumismo cotidiano 

 
Todos sabemos que a Grécia foi o berço da Filosofia, embora também se reconheça as contribuições chinesas, indianas, persas e etc. O que talvez não se saiba é que grande parte da produção intelectual desse áureo período da razão foi perdida com o tempo. Certamente já ouvimos falar Platão, de Homero e até de Hipócrates, mas o mesmo não se deu com o pensador Epicuro.
     Epicuro, foi um filósofo grego que viveu em Atenas entre os anos 341-270 a.C, onde organizou um grupo de pensadores e amigos, os epicureus, com o intuito de desenvolver sua proposta filosófica. Embora dono de grande produção literária, a maior parte de sua obra foi perdida durante os séculos, restando apenas fragmentos, ou mesmo poucas citações. Sua filosofia se baseia na tranquilidade da alma, no valor da amizade e na paz como prática de vida. Hoje, podemos ter contato com suas principais ideias através da obra "Pensamentos", onde é possível identificar seus conceitos centrais.
 
 
Ao ler esse livro, logo de início me deparei com a seguinte frase: "Há desejos que são naturais e necessários, outros que são naturais, mas não necessários. E ainda outros que não são naturais, nem necessários". É incrível como uma constatação do século III a.C pode ser tão atual. Entre os desejos naturais e necessários podemos enumerar o comer e o beber, o vestir-se (estão no campo da sobrevivência). Entre os naturais e não necessários estão o comer pizza, beber vinho, vestir Kelvin Klein. Nos desejos que não são nem naturais, nem necessários podemos enquadrar todas as futilidades que pudermos lembrar...
 
 

Atualidade do epicurismo

O sistema econômico atual segue uma lógica contrária a sabedoria dos epicureus. Todos os dias somos assaltados com milhares de propagandas que nos dizem o que comprar, onde comprar, como as coisas possuem o poder de fazer felizes àqueles que as têm. O resultado disso não é outro senão, depressão, consumismo, insatisfação, endividamento, impossibilidade de sentir-se bem com as coisas simples, mercantilização das relações... E isso é só pra começo! Faz-se necessário uma reflexão sobre o nosso papel no mundo, sobre a qualidade da nossa existência. Aprendamos com Epicuro, tomemos do mestre a paz, o contentamento, enfim a felicidade.
 
 
 
 
*** Gostou? Aproveite para ver também a "Receita da Felicidade de Epicuro!"